Bom, depois das considerações do post anterior, na tentativa vã de salvar esse blog do abandono, vamos a uma postagenzinha.
Aqui vão os livros que eu li esse ano e um pouco de cada um:
1. A história da humanidade através da biografia.
Autor: Henry Thomas.
Nem vá atrás desse livro na livraria cultura, na saraiva megastore, fnac ou algo que o valha. A edição que eu tenho, da década de 80, foi presente da minha irmã e comprado no sebo. Simplesmente, acredito que não seja mais editado. A minha cópia é uma reimpressão da edição do livro de 1938!! Trata-se de um livro brilhante. O autor passa pela história da humanidade, da antiguidade de buda, confúcio, até os dias que antecederam a segunda guerra mundial, falando mesmo de hitler e mussolini, baseado nas pessoas importantes de cada época. O autor, ao contrário da maioria dos historiadores, se posiciona sobre as figuras que descreve, de forma excepcional. Um livro imperdível.
2. Numa Fria
Autor: Charles Bokowski
Livro de um dos meus autores favoritos, mostra "o velho safado", como Bukowski é conhecido, em várias situações hilárias, como, aliás, é habitual em seus livros. Edição pocket, baratinha, da L & PM Editores. Vale bastante a pena. Se não conhece o autor, leia, primeiro, notas de um velho safado ou "a mulher mais bonita da cidade e outras histórias".
3. O mundo assombrado pelos demônios.
Autor: Carl Sagan.
Uma defesa apaixonada da ciência e da razão. Para ateus, como eu ou mesmo para quem gosta de um discurso coeso e racional, Sagan mostra como a ciência não traz todas as respostas, mas ainda é o melhor que temos. Destaco em especial o capítulo do dragão na garagem, que mostra como o sobrenatural se sustenta somente baseado em argumentos de autoridade e nada, mas nada mesmo que seja factível.
4. Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo.
Autor: Nelson Rodrigues.
O Anjo Pornográfico, aqui, assume o papel de Myrna, conselheira sentimental de um jornal carioca, que responde às perguntas de suas leitoras. São crônicas brilhantes de Nelson Rodrigues, mostrando a realidade do amor como nem sempre gostaríamos que fosse, mas como sabemos que é.
5. O Livro das vidas - obituários do New York Times.
Organização: Matinas Suzuki Jr.
Talvez o mais surpreendente do ano. Obituários selecionados do New York Times, especialmente de pessoas quase famosas. Como assim? Pessoas que fizeram coisas realmente magníficas, mas não eram conhecidas. Vida fabulosas, leitura imperdível.
6. A Trilogia de Nova York.
Autor: Paul Auster.
Paul Auster é escritor de Nova York. Nessa trilogia, as histórias são instigantes, misteriosas e envolventes. Me parece um bom livro para conhecer o estilo do autor.
7. Se um viajante numa noite de inverno.
Autor: Ítalo Calvino.
Acho que Calvino é meu segundo autor favorito (logo atrás de J. D. Salinger). Na minha opinião o escritor mais criativo do mundo, nesse livro ele trás uma história sobre o ato de escrever histórias. Partindo da premissa de um livro inacabado, Calvino nos brinda com diversas histórias possíveis, cada uma representando um gênero de romance. Fantástico do começo ao fim. Imperdível. Pare de ler esse post e vá comprar agora mesmo.
8. Factótum
Autor: Charles Bukowski.
Olha ele aqui de novo. Nesse livro, o velho safado vai tentando se virar como pode na América, sem dinheiro, sem instrução e com péssimos hábitos, como beber muito, apostar em cavalos e se envolver em brigas. Bukowski traça um panorama dos Estados Unidos pós-depressão, durante a segunda guerra e mostra a luta para tentar ser alguém e não desistir de ser escritor, apanhando - e muito - da vida.
9. Carta a uma nação cristã
Autor: Sam Harris.
Um ataque aberto ao catolicismo norte-americano e sua irracionalidade em abraçar teorias como, por exemplo, o criacionismo, segundo a qual o mundo só existiria há coisa de seis mil anos (1/3 da população daquele país acredita nisso, segundo o autor). Com uma boa dose de agressividade e argumentos bastante racionais, o autor critica o catolicismo e mostra sua impossibilidade, derrubando os dogmas e mostrando como as respostas que a ciência dá são bem, bem melhores.
10. Pantaleão e as visitadoras.
Autor: Mário Vargas Llosa.
Meu primeiro contato com o autor. O livro é hilário. O exército peruano, tendo problema com a agressividade e os estupros cometidos por seus guardas de fronteira, que passavam meses privados de companhias femininas, cria o serviço de visitadoras para acalmar os soldados. Não contava, porém, que o responsável pelo serviço (secretíssimo), fosse levá-lo a sério a ponto de transformá-lo numa indústria altamente eficiente, levando ira a mulheres e à igreja na amazonia peruana. Me parece uma boa também para conhecer Vargas Llosa.
11. O livro dos seres imaginários.
Autor: Jorge Luis Borges.
Do maior poeta argentino, o livro traz uma coletânea dos seres imaginários, trazida dos bestiários medievais, livros de histórias e das crenças de diversos povos. Livro bastante interessante, cultural e ótimo para passar o tempo.
12. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.
Autor: Charles bukowski.
O diário do autor nos anos que antecederam a sua morte. Mais interessante para quem, como eu, é fã de Bukowski e de seu senso de humor ácido.
13. Quebrando a banca.
Autor: Ben Mezrich
O livro conta aquele história que ficou famosa esse ano no cinema: alguns jovens gênios do MIT ganham milhões, conhecem coelhinhas da playboy e vivem como reis vencendo os cassinos nas mesas de 21, utilizando-se de seus dotes mentais para contar cartas e faturar alto, muito alto. Os cassinos, obviamente, não iam deixar isso barato. Com ares ora de narrativa, ora de thriller, o livro é ótimo para passar o tempo e mais interessante ainda porque a história, de fato, aconteceu.
14. A insustentável leveza do ser.
Autor: Milan Kundera.
Para alguém que, em geral, é considerado um leitor assíduo, demorei demais para ler esse livro. Personagens marcantes e inesquecíveis, história bela, da qual não se consegue desgrudar. Um país arrasado, almas arrasadas e temas como a leveza do ser, o peso. Imensos questionamentos existenciais e diversas visões sobre o amor. Kundera, a partir da invasão russa a Praga, traz uma história dessas inesquecíveis, de uma sensibilidade sem tamanho. Livro para se chorar muito, com o final mais bonito que eu já li.
15. Franny & Zooey.
Autor: J.D. Salinger
A maior parte dos livros do recluso Salinger, autor do retumbante sucesso "O apanhador no Campo de Centeio", fala da família Glass. A família em questão é composta de pai, mãe, que eram artistas quando jovens e 7 filhos: Seymour - o mais velho e personagem mais intrigante, Buddy, que narra a história de Seymour e de seu casamento no livro "Carpinteiros - Levantem Bem Alto a Cumeeira", Boo Boo, a mais velha das mulheres, Walt e Waker, irmãos gêmeos e Franny e Zooey, os mais novos, personagens principais do livro.
Os irmãos mais novos da família glass sofreram influências marcantes dos irmãos mais velhos - Seymour e Buddy. No momento em que a história é contada, Seymour já se suicidou (a história do suicidio aparece no conto "um dia ideal para os peixes-banana, que faz parte da coletânea Nove Estórias, do mesmo autor), Franny vive uma fase de questionamentos religioso-existenciais e Zooey tenta viver e escapar às influências enormes dos irmãos mais velhos na formação de seu caráter. Um imenso diálogo entre Franny e Zooey que ajuda a conhecer mais os personagens da família Glass. Para ler por último, depois de ler todos os livros de Salinger. Bastante interessante, mas, ainda assim, foi o que eu menos gostei de todos, o que não é nenhum demérito - os outros livros são bons demais.
Leitura atual: O livro dos abraços.
Autor: Eduardo Galeano.
Autor que só conheci esse ano, quando minha namorada o apresentou, Galeado, supostamente, é famoso pelo livro "as veias abertas da américa latina". Em "o livro dos abraços", que estou lendo, pequenas histórias de uma ou duas páginas narram experiências do autor e, porque não, a própria vida. Destaque para a força do poema "os ninguéns".
That´s all Folks
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